Games como referência criativa

Eu jogo videogame desde os 4 anos de idade. Meu pai tinha um Atari 2600, onde nós dois jogávamos… muito embora eu fosse bem ruim naquela idade.  Hoje eu sou um nerdão de carteirinha e já tive praticamente todos os videogames lançados das principais fabricantes, inclusive portáteis.

“Tá, e daí?”, você pergunta. Acontece que videogames, mais até do que animação, foram grandes influenciadores para a minha entrada na área criativa. O mundo fantástico dos personagens, as músicas, a jogabilidade; horas, dezenas de horas imerso em mundos milimetricamente construídos; você conhece e se apaixona pelo universo dos games com uma profundidade e proximidade muito maior do que outras mídias.

E por que não usar isso em favor do seu trabalho criativo?

A produção de um jogo envolve muito mais do que programadores, empregando também diretores de arte, designers, ilustradores, modeladores 3D, animadores e demais artistas que encontraram nos games uma forma de expressar arte (e também um emprego, é claro).

Normalmente, a gente pensa sempre em cinema e publicidade em geral, mas já parou para pensar que o seu trabalho também pode entrar em outro tipo de mídia e ser reconhecido por milhões de pessoas?

Por exemplo, a série Mega Man inspirou a criação de uma ilustração 3D feita para o meu portfólio, que foi destaque nas galerias da The Foundry e do 3D-Coat. Percebam as influências: o design da armadura robótica do robô/veículo é inspirado no aspecto “exagerado” dos membros do design de personagens do jogo. Inclusive o conceito de pilotagem vem diretamente das Ride Armors da série Mega Man X.

Ou que tal o jogo Broken Age, da Double Fine? Não bastasse a arte do jogo ser linda, o processo de animação utilizou de uma técnica chamada animação 2.5D. No caso do jogo, tudo foi feito em 3D e todas as texturas foram pintadas de forma 2D. O resultado é virtualmente igual a animar no Duik, por exemplo. Confira esta apresentação de Raymond Crook sobre o estilo e Workflow de Broken Age.

Recentemente, jogando no PS Vita, tive a oportunidade de conhecer o jogo Hohokum. Não é bem um jogo, mais parecendo uma experiência audiovisual interativa. E que experiência! Da trilha sonora aos visuais, tudo é lindo e psicodélico. E não é que parece com os tão em voga flat motion? Na verdade, já me inspirou a desenvolver um trabalho autoral. Mais do que assistir um vídeo pelo Vimeo ou Behance, controlar a animação por horas é capaz de dar insights mais aprofundados.

Um outro exemplo é o jogo indie Jenny LeClue, com uma demonstração fantástica do processo de rigging da personagem no After Effects. Neste link, a galera inclusive distribui um arquivo de rigging gratuito para estudo.

Estes quatro exemplos bem distintos servem para ilustrar uma ideia: jogos também são ótimas referências para trabalho criativo.

Em breve vamos trazer mais referências e discuti-las. 😉

E aí, quais jogos influenciam seu trabalho criativo?

Os créditos das imagens pertencem às empresas detentoras dos direitos autorais dos jogos.

Sobre Dimitri Bastos

Designer gráfico freelancer atuando com Motion Graphics, 3D e ilustração, também professor e fundador da Academia Criativa. Nas horas vagas é aspirante a escritor e jogador de videogame. 😀 www.dimitribastos.com