Entrevista com Marcelo Bastos

Marcelo Bastos não é nenhum desconhecido da galera da Academia Criativa. Para quem faz nossos cursos de 3D e Motion, seus trabalhos já ilustraram alguns projetos que desenvolvemos em aula. 😀

E aí que entrevistamos o fera em Concept Art e Character Design para falar um pouco sobre seu processo criativo, o trabalho para uma empresa de games de São Paulo, workflow, e mais.

Quer se conectar ao Marcelo? É só seguir o seu Artstation e Behance.

Confere aí!

Quem é Marcelo Bastos?

Publicitário por formação e ilustrador por paixão, com foco no desenvolvimento de personagens e ilustrações, principalmente na área de Games. Atualmente trabalhando como 2D Artist na Playlearn, uma empresa de games de São Paulo, artista freelancer e professor no curso de Pintura Digital e Character Design na Art&Cia, aqui em Fortaleza.

De onde veio o interesse por character design?

Veio dos jogos que fizeram e fazem parte da minha vida, das animações que assisti, de todos os estímulos gráficos e visuais, que até então eu não sabia que tinha muita gente ali por trás para desenvolver, dar vida a tais personagens e todos os processos até chegar em uma versão final.

Logo, quem eram os responsáveis pela criação daquele personagem que eu estava jogando e pra todos os outros ali na tela? Por que o uso dessas cores e formas? Como aquele mundo foi construído? A partir de tais questionamentos fui colhendo informações a respeito desse universo desconhecido até então.

O que eu sabia era que desenho, arte e até mesmo o design  eram aa formas de linguagem que esses grandes profissionais usavam, e a partir daí estudei e continuo estudando bastante para compreender os fundamentos e aplicar no meu trabalho.

Como é trabalhar para uma empresa de games, especificamente board games?

É um universo novo e também repleto de desafios. O lado bacana é que você pode sentir o jogo, observar e tatear de perto aquilo que você produziu, ver os outros jogadores fazendo o mesmo e entendendo sua mensagem.

Os desafios sempre existem, mas aqui em boardgames, temos sempre que se preocupar com a qualidade final dos componentes que vão ser impressos, cortados, laminados e etc. Saber o tamanho real das peças, saber a faca de corte para as cartas, o tamanho da caixa, as dobras, e principalmente a leitura, o contraste, a legibilidade das suas ilustrações.

Depois de tudo pronto é importantes pensarmos no material de divulgação e promocional. Adaptando a keyart feita para banners, posters e material de mídia social. É um trabalho tão minucioso quanto para plataformas digitais. Cada um tem suas particularidades técnicas e processuais diante o trabalho a ser desenvolvido.

O seu workflow envolve muitas vezes trabalhar em P&B e depois aplicar as cores? Por que você faz isso?

Já experimentei algumas técnicas em meu processo criativo. As técnicas de colorização são vastas, pra falar a verdade percebi que cada artista, cada profissional tem seu método, e
usam por se sentirem mais confiantes e confortáveis. Não existe regra, apenas os fundamentos a serem seguidos e você descobrir qual é o melhor caminho de chegar a etapa final do seu trabalho. É interessante explorar outros métodos e técnicas quando você está estudando, afinal, tudo isso faz parte do aprendizado e de uma certa filtragem natural. Como você vai saber se aquela técnica funciona pra você sem ao menos testar?

Percebi que pintar em greyscale é interessante para você estudar sua composição, sua iluminação no processo de thumbnailing, ou seja, no planejamento da ilustração, por exemplo. Essa etapa em greyscale, pra mim, me dá uma boa base para me guiar no trabalho em definitivo. É nessa etapa que vejo se a leitura da silhueta está legível, os pontos de interesse e contrastes. Em seguida, como tenho minha lineart pronta, já vou direto nas cores.

O que antigamente eu fazia, e até vejo alguns outros artistas fazendo hoje, é usar essa pintura em greyscale (em values ou valores) para em seguida usar os modos de mesclagem do photoshop tais como overlays, soft lights e color para ir adicionando as cores. De certo modo até funciona. Mas pra mim, atrapalhou. E o que aprendi, é que se algo está atrapalhando no seu caminho, descarte-o e experimente outra técnica, outro processo. Como disse, não existe uma regra. O segredo de uma boa ilustração vai sempre ser a base que você tem de valores, cor, luz, cores e composição. A técnica, você escolhe, ou descobre.

Que tipo de personagens você mais curte criar?

Os que surgem na minha cabeça. Prefiro criar ou recriar algo a minha maneira.

Como é o seu processo de criação de personagens? O que o inspira? Como você inicia?

Sempre começo com alguma ideia preliminar no sketchbook. Prefiro começar no papel, errar e explorar diferentes possibilidades. Em seguida tiro uma foto, do celular mesmo, subo no drive e baixo para o photoshop. A partir daí começo a refinar e corrigir as proporções e anatomia para em seguida pensar no design e composição, caso tenha.

Em seguida, em cima da lineart pronta, esboço a iluminação em greyscale, observando o que funciona e o que não funciona para a cena. Definindo isso, coloco essa parte do processo de lado para ir direto nas cores e finalizar a imagem de acordo com o que foi definido na etapa anterior.

E o que me inspira bastante é o trabalhos de artistas que admiro e meus artbooks. Principalmente os da Blizzard.

Personagens ou Cenário?

Personagem!

Alguma dica para a galera que quer criar seus próprios personagens?

Estudem e pratiquem todo dia. Mesmo naqueles dias que seu ritmo está baixo. Tente sair da zona de conforto e se alimente visualmente do que está ao seu redor.

Você é meu primo perdido?

Rapaz, vamos logo abrir a público aqui. Sim! HAHAHA
Na garra, no suor e no trabalho. Los Bastos! uha!

Marcelo Bastos no Artstation e Behance.

Sobre Dimitri Bastos

Designer gráfico freelancer atuando com Motion Graphics, 3D e ilustração, também professor e fundador da Academia Criativa. Nas horas vagas é aspirante a escritor e jogador de videogame. 😀 www.dimitribastos.com

Postar uma mensagem